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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ser ou não ser Federal, eis a questão

Hoje alguém me disse que olha meu blog muito frequentemente para checar se há alguma coisa nova; acho que foi uma motivação interessante para escrever de novo. De qualquer forma, vamos ao texto.
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Considerando a quantidade de dinheiro (hipotético para os céticos, futuro benefício para os crédulos) envolvida e os muitos empregos e vagas em jogo na universidade, uma das questões que e maior relevância em Blumenau atualmente é a federalização da FURB


O assunto é palpitante, inútil é meu blog.

Na posição de calouro e ‘sabe-de-nada’, tenho pouco a dar de opinião baseada em experiência própria, algo que você deve ter deduzido desde o primeiro post do blog. No entanto, é sempre válido começar uma discussão ou fazer alguém pensar – nem que este seja eu mesmo.

Pois bem, primeiro com a posição de quem é pró-federalização, a exemplo de um professor que eu tenho. Parte-se do princípio que, em uma situação ideal de federalização, o orçamento disponibilizado para nossa universidade passariaa ser em torno de 300 milhões de reais. Isso, segundo fontes, é praticamente o triplo do orçamento atual, embora eu não tenha certeza se já está incluída a mensalidade paga pelos alunos ou não.

E em que implica a consolidação desse processo? Os alunos ganhariam muito, certamente. Os professores, a exemplo da UFSC, seriam em sua maioria graduados com um Doutorado, a instituição (fisicamente falando) seria herdada sem nenhum problema, o diploma passaria a ser de uma Federal (e é bem sabido o quão valorizado é isso, mito ou não) e estaríamos isentos de pagar a mensalidade.

Sem contar com o valor econômico e, digamos, ‘científico’ que viria de brinde. Estamos falando de centenas de milhões de reais injetados na economia local e de vários estudantes vindos de vários estados - matriculados aqui, formando-se aqui, trabalhando aqui e gastando dinheiro em coisas blumenauenses, quiçá do vale e congêneres.

Não obstante, mudaríamos o foco atual, com mais ênfase na pesquisa e extensão. Supõe-se que nem todo o dinheiro seria aplicado com o salário dos servidores que trabalhariam na FURB, e, portanto, haverá mais dinheiro para financiar os outros projetos relacionados à universidade.

Por outro lado, há a opinião de quem é contra isso tudo, com suas razões. Antes de levar em conta as conseqüências da hipótese, questiona-se a capacidade desse projeto ser levado adiante – considerando a inexpressividade política de Santa Catarina, é possível que o dinheiro nem chegue até nós e que tudo isso nem seja aprovado lá em cima.

Agora, na parte prática da questão, aqueles professores desqualificados para ensinar em uma Federal (sejam estes didáticos e bons, ou não) seriam os primeiros a sentir o lado negativo. Na iminência de um concurso com pré-requisitos altos demais ou com um nível de dificuldade elevado, uma grande quantidade de discentes iria embora. Confesso que não sei da veracidade dessa informação, mas a minha fonte a garante.

Além disso, ainda que exista o IBES, a FAE e a ASSELVI (ou UNIASSELVI, seja lá), o ensino superior tornar-se-ia em parte inacessível por aqui para aqueles que vêm do ensino público, uma vez que estes não têm a capacidade financeira ou a capacidade acadêmica. De cada 100 alunos que fizeram a prova do vestibular da UFSC de 2007 (e que eu estou tomando como padrão em uma universidade federal, partindo da premissa de que não há razão para que esse número mude drasticamente de ano pra ano), aproximadamente 23 vêm de escolas públicas - que dirá quantos efetivamente são aprovados. Quanto aos que não poderiam pagar, podemos supor que se eles tivessem dinheiro para investir em educação, eles não teriam vindo de escolas municipais ou estaduais.

Minha cara quando me dei conta de que não consigo decidir minha opinião.

E isso é um contra-senso, se o objetivo é elevar o nível do pessoal por aqui. Devemos trazer uma montanha de alunos qualificados pra cá e deixar os incapazes indispondo da FURB?

De resto, sobram perguntas: a administração pública dará conta daqueles milhões todos? Dando vida ao economista dentro de mim, teremos uma alocação de recursos ideal e certa? Ou ainda, haverá recursos para alocar? Os novos professores aumentariam tanto assim o nível? Por fim, você que está lendo, hipotético freqüentador do meu blog: no caso de ser um estudante, você seria capaz de entrar na FURB enquanto Universidade Federal de Blumenau? No caso de ser um calouro ou um veterano, você teria sido capaz de entrar e ser digno de um canudo desses?

É difícil responder. Estou pendente a crer que tornar nossa digníssima instituição pública é o ideal (“pensemos no futuro da cidade!”), mas como pesar o que é mais válido? Parece que ver como Blumenau se beneficiará (olha o clichê aí) é uma questão de ponto de vista. E pior: talvez a cidade saia ganhando e perdendo nas duas possibilidades – basta decidir quem deve ficar na vantagem e quem não deve.

Olhando pros posts que eu tenho escrito, sobre como todos nós somos iguais (ou sem individualismo, dá no mesmo), como somos imperfeitos e sobre como não há verdade, não tem como eu dar uma resposta. Mesmo. Penso até que votaria em branco, no caso de ter que votar em chapas para reitor extremistas nesse sentido.

Afinal, parece que é uma sacanagem (uma puta falta de sacanagem, alguém diria) que alguns percam um emprego de uma forma relativamente injusta e que outros percam a oportunidade de estudar na FURB agora, não parece? Mas também não parece ignorância não optar pelo futuro desenvolvimento daqui? De qualquer forma, como não há verdade absoluta e nunca vai haver, tanto eu como todos vocês, estamos todos errados em nossas próprias proporções. Que seja o melhor para Blumenau e, aos vencedores, as batatas! ;)

mp3: The Radio Dept. – Heaven’s on Fire

Resumo pro Volkmann: Federalizar a FURB ou não? Ambas as frentes tem suas opiniões com sustentação lógica e com um sentido de ser, mas (como sempre) só posso concluir que as duas não estão nem certas nem erradas. Depende sempre de um ponto de vista e de quem você acha que deve sair ganhando.

PS:
Minha fonte da estatística: http://www.vestibular2007.ufsc.br/relatorio/vestgrt03g.html

De resto, prefiro não dizer quem opinou pra eu escrever esse texto. Se alguém leu até o final e tem uma opinião (acho improvável, mas vale a minha intenção), não se acanhe! Deixe um comentário.

domingo, 2 de maio de 2010

Imperfeito porque humano.

Assisti “Homem de Ferro 2” alguns dias atrás e um dos diálogos do filme foi o que serviu para contrabalancear o exagero inacreditável do filme. Eis que, lá pelas tantas, o vilão do filme, “Ivan Vanko”, diz: “Se você faz Deus sangrar, as pessoas param de acreditar nele”.

Bom, eu espero que isso não desvie sua atenção do texto, mas que fique claro que o assunto aqui não será o Homem de Ferro ou Deus. Eles já têm atenção demais para coisas que não existem. É sobre eu, você e essencialmente todo o mundo.

Nós somos imperfeitos. Estaremos sempre diante da nossa própria tragédia grega, cada um com suas proporções, e sempre em uma catarse que nunca acaba. Embora saibamos que há crianças africanas que morrem de fome (e dos clichês inevitáveis), nada nunca nos satisfará a ponto de nos sentirmos completos, seja culpa do seu pensamento livre ou da falta de algum neurotransmissor no cérebro.


E da mesma forma, Deus sangra. Em outras palavras, Deus é humano, e isso porque Deus (e o Homem de Ferro também) representa o nosso ideal de existência, e provavelmente não é muito difícil de chegar nessa conclusão. Afinal, se nos livrássemos de todos os atrasos que nossa humanidade nos proporciona, poderíamos chegar a ser o que quer que fosse da nossa vontade.



Até o homem vitruviano teria crises existenciais.

Imagine que espetacular. Não seria difícil ficar rico, posto que não teríamos razão para gastar em supérfluos. Seriamos nossa própria definição de inteligência, virtuosidade e beleza, uma vez que a nossa disciplina impecável serviria de escada para qualquer patamar. Não haveria depressão, medo, admiração exacerbada ou deficiência (física e psicológica) para deter quem quer que fosse.


O assunto permite afirmar ainda, com meu radicalismo de sempre, que aqui está uma das razões pela qual gostamos tanto de ler histórias e assistir filmes. Além da distração, é emocionante acreditar que um dia seremos pessoas reconhecidas e célebres – seja pelo mérito, pelo valor de nossa criação, pelo amor platônico que se concretiza ou pelo dinheiro que temos.


Mas, voltando ao meu ponto inicial, nunca seremos completos. Não somos melhores que ninguém (isso não deveria nem ser pensável), nunca teremos tudo, e é uma bobagem perseguir isso. Acho até engraçado existirem tantos livros de auto-ajuda (ou a auto-ajuda per se), sempre promovendo o encontro da Felicidade (com efe maiúsculo), a “convivência perfeita” dos casais, o encontro da sua “cara metade” ou ficar milionário – sugerindo, ainda por cima, que ficar rico resolve alguma coisa.


Let’s face it – não resolve. As pessoas certamente ficariam muito mais distraídas com o prazer puro que seria ter um rancho Neverland de entusiasmos e supérfluos. Ainda assim, o tédio eventualmente levaria o novo Michael Jackson em potencial a voltar à estaca zero, procurando algo que o fizesse feliz até o próximo momento de aborrecimento. E, veja só, estamos gastando nossa vida inteira trabalhando.


Então, não sei ao certo como concluir. Não sugiro uma vida antissistema ou algum tipo de anarquia. Sugiro na verdade o bom e velho conformismo, desde que você se lembre que nada nunca vai ser lindo e divino como nossos sonhos e devaneios sugerem.


E ao modo da Academia de Oratória, outra citação, agora no fim. Essa é de (previsível) Tyler Durden: "Você não é o seu emprego. Você não é quanto dinheiro você tem no banco. Você não é o carro que você dirige. Você não é o conteúdo da sua carteira. Você não é as calças cáqui que veste. Você é toda merda ambulante do mundo."


mp3: Yann Tiersen – Summer ’78 (Goodbye, Lenin! OST)


Resumo pro Volkmann: Assista “Clube da Luta” e saiba que ninguém nunca será único, feliz de verdade ou completo – essas coisas são inexistentes e a única noção de ‘felicidade’ que temos está intrinsecamente ligada à nossa distração do mundo de verdade, nem que tenhamos nosso rabo atochado de dinheiro.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Crises de Identidade, persistência da memória e Alexandre Nardoni

Era uma curiosidade que eu já tinha ouvido bastante tempo atrás, mas que eu ouvi de novo recentemente: todas as células dos nossos corpos já foram regeneradas alguma vez nos últimos sete anos. Fui conferir essa informação e havia um dado que aumentava esse período, posto que algumas células duram mais tempo – nos ossos, por exemplo, algumas aparentemente resistem por uns 10 anos.

Isso significa que você poderia se considerar, pelo menos a cada década, uma pessoa completamente diferente do que era dez anos atrás. Então, ainda que seja uma noção meio radical e que talvez, em poucas palavras, “não é exatamente assim que funciona”, essa idéia me rende uma pergunta: o que define nossa identidade ao longo do tempo?


Reformulemos a pergunta. Como alguma coisa pode manter-se a mesma se ela, fisicamente falando, transforma-se em outra totalmente nova? Bom, em primeiro lugar, tenhamos em mente que essa idéia é muito velha, tanto que na Grécia antiga – para variar – alguém já tinha pensado nisso.


Chama-se o “Navio de Teseu”:
Conforme relato de Plutarco, o navio com que Teseu e os jovens de Atenas retornaram (de Creta) tinha trinta remos, e foi preservado pelos atenienses até o tempo de Demétrio de Falero, porque eles removiam as partes velhas que apodreciam e colocavam partes novas, de forma que o navio se tornou motivo de discussão entre os filósofos a respeito de coisas que crescem, alguns dizendo que o navio era o mesmo, e outros dizendo que não era.

A idéia, embora um pouco repetitiva a essa altura do texto, é perguntar-se como o navio podia ser o mesmo se este já fora praticamente reconstruído várias vezes.


A resposta que me vem a cabeça é que o navio passa a ser outro, nessas condições. Mas e nós? Deixamos de ser quem nós somos, uma vez que a pessoa que ganhou uma certidão de nascimento há muito tempo já não é a mesma? Como nós lembramos como andar de bicicleta ainda que passemos muito mais do que uma década sem pegar uma para andar?

E tem mais um problema, que se revela quando eu percebo que é muito mais difícil definir as coisas. Não podemos definir alguma coisa pelo funcionamento, propósito ou aparência/composição física. Afinal, uma chave que não abrisse nenhuma porta existente não seria uma chave.

Mas a verdade é que não sei como responder nada disso. Não escrevi o texto para apresentar uma resposta, porque certamente ela depende de um conhecimento mais complexo do que eu poderia dar. Algo relacionado com o funcionamento exato de nossa memória – ou a persistência dela – e como é o mecanismo que determina a nossa consciência.


Minha intenção com esse papo todo era, a princípio, deixar a reflexão pra quem quiser ler e depois conversar sobre isso. Mas aí eu percebi além disso, ao pensar sobre o assunto e assistir os noticiários, que existe uma aplicação moral bizarra desse paradoxo.


Quanto à permanência de identidade, Alexandre Nardoni, por exemplo, poderia ser solto em uma década - embora talvez ele seja mesmo, who knows - se eu estiver certo nesse aspecto. Afinal, passado um decênio da morte de Isabella não vai mais ter sido ele que a matou.


"Mas eu não matei ela, foi um assaltante que jogou ela da janela. Eu juro!"


E já que mudamos de assunto, PELO AMOR DE DEUS PAREM DE FALAR NESSA PORRA. Eles estão sendo julgados, tudo bem, mas eu tenho certeza que essa notícia não tem tanta relevância. Ah sim, tem outra: como já disseram antes, as pessoas que ficam na porta do tribunal pra vaiar eles são uns idiotas. Aproveitem seu tempo melhor, vão dar a bunda, se joguem pela janela, sei lá.


Bom, é isso. Um abraço ao Marco que não vai ler esse texto e que acha muito divertido quando eu começo essas conversas.


mp3: Pixies - Where is My Mind

Resumo pro Volkmann: você é uma pessoa diferente e igual a cada 7 anos e eu odeio o “caso da menina Isabella”.

sábado, 31 de outubro de 2009

A Liberdade de Expressão e o Twitter


Então,esse texto não foi escrito pro blog; ele vai ser publicado em algum lugar em breve e a princípio não é pra dizer onde. Fuck it, aí vai e espero que vocês gostem.

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Entre um minuto perdido e outro na internet, eu sou avisado pelo Twitter sobre mais uma atualização dos meus contatos. Ou das pessoas que eu “sigo”, nos termos do site. Com a curiosidade de quem finge que não tem nada melhor pra ler, percebo que se trata de mais uma frase sobre algum desejo ou pensamento trivial de algum conhecido aleatório e fico revoltado com a nossa futilidade mútua.

É como se eu quisesse mesmo saber se Fulano não queria que estivesse chovendo ou se Beltrano está indo ao supermercado. Temos aí o melhor exemplo de que as pessoas fazem uso da sua liberdade de expressão como elas bem entenderem e que não necessariamente todos temos algo pra dizer.

Mas vamos por partes. Para definir do que estou falando, o Twitter é uma rede social online em que os usuários interagem entre si por mensagens de até 140 caracteres. O que aparenta ser uma idéia sem muito potencial acabou revelando-se como a objetividade que as pessoas procuravam naquilo que liam na internet, seja sobre seus amigos, seja sobre o resto do mundo.

Pode ser uma grande manifestação da preguiça alheia, mas faz sentido pra quem não quer perder tempo algum. Esse texto, por exemplo, seria resumido em par de frases e um hipotético leitor teria evitado perder alguns minutos da sua vida.

E não perder tempo algum é realmente o atrativo aqui. Os jornais “O Globo”, “CNN”, “The Economist” e até a “Al Jazeera”, para mencionar alguns, fazem parte dessa rede. Significa que qualquer seguidor desses usuários pode ter um resumo do que está acontecendo ao redor do mundo com uma breve lida em sua página inicial.

Há ainda o exemplo do Irã, que censurou qualquer manifestação contra as eleições que ocorreram no país na primeira metade de 2009, mas que foi exposto para o resto do mundo graças a pessoas que escreviam através do Twitter. Protestos online, por assim dizer, e a orquestração de protestos na vida real.

Mas seria mentira se eu dissesse que a maioria dos usuários brasileiros faz qualquer coisa parecida. Nada de jornais e nada de manifestações; de fato, o líder da lista dos mais seguidos no Brasil é o Mano Menezes, técnico do Corinthians. O resto da lista segue esse padrão de relevância.

E agora eu volto ao meu ponto inicial. É uma minoria de pessoas que tem algo relevante pra dizer e que quer ler algo sério. Isso, ligado à possibilidade de dizer o que quiser, faz com que o site em questão seja um mar de futilidade.

O que temos aqui, então, é uma conclusão bem aparente. Se o que você procura é um resumo das noticias, tudo bem. Mas em se tratando de dividir os seus pensamentos prosaicos com o mundo, acho que há coisas melhores pra fazer. A máxima permanece quase inalterada: desligue o Twitter e vá ler um livro.

mp3 - Travis - Writing to Reach You

@volkmann
:Twitter tem uma utilidade muito questionável, e mesmo com a pequena possibilidade de usá-lo decentemente, ninguém o faz. Sim, eu sei, novidade.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Che Guevara, uma filosofia de vida e algumas meias-verdades

Hoje voltei para casa com uma idéia na cabeça, conseqüente de uma conversa que eu ouvi. Nada necessariamente relevante – como de costume - mas vale o texto. A pseudo-opinião de sempre, vá lá.


Pois então. Uma parte da conversa girava em torno de Che Guevara, outra parte relacionava a instrução de alguém com seu posicionamento político e a categorização disso em bom ou ruim. Em suma, o cubano argentino era um imprestável (um ponto de vista justificado, veja bem) e muitas críticas à esquerda comunista pairavam no ar.


Antes de continuar, vou dividir com meu hipotético leitor a música dos Beatles que está tocando enquanto escrevo. John Lennon canta sobre campos de morangos e afirma sem rodeios: “nothing is real”.


Certo, nada é real, e eu retomo meu raciocínio. Comecemos pelo revolucionário que dá nome a esse texto. Como poderíamos enunciar qualquer opinião justificada sobre ele, por assim dizer, se nosso conhecimento sobre o assunto é necessariamente parcial e subjetivo?


A questão é que qualquer fonte existente é parcial e subjetiva. Qualquer livro será feito a partir de versões que têm influencia da ideologia, da memória seletiva e da opinião do autor. Isto é, não será a verdade absoluta.


E é aqui que eu queria chegar. A conversa não se restringe ao tal Guevara; tudo o que você pensa se baseia em falácias. A sua opinião muda em alguma coisa, então? Se estivermos sempre contornando verdades que não são verdades, então nenhuma discussão será necessária. Nenhum ponto de vista será válido para ser tomado como orientação, e talvez isso faça as coisas mais simples.


Talvez, penso eu, a concepção disso permite que você ache o que quiser. Porque mesmo que alguém venha te questionar, é bem provável que este alguém esteja tão certo quanto qualquer outro. “Misunderstanding all you see”, cantam os Beatles.


Então pense o que quiser, use aquela camiseta com o “Che”, faça o que bem entender. Só não diga que você está certo, e pense muito antes de tomar algo como verdade. Sócrates ficaria orgulhoso.


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E antes que eu me esqueça, a filosofia de vida, se quiserem chamar assim. Como você não está preso a nenhuma certeza, posto que tudo é subjetivo e talvez ninguém nunca chegue a essa “verdade absoluta”, você pode tomar também qualquer coisa como o motivo da sua existência.


Coloquemos assim: não é necessário procurar por uma resposta para a vida, as respostas estão todas aí. Só é preciso achar a sua pergunta. “Strawberry fields forever”, e entenda como quiser.

"What? No, seriously, what?"




mp3: The Beatles – Strawberry Fields Forever


Resumo pro Volkmann: Che Guevara pode ser um mártir ou um grandissíssimo filho da puta, não importa. Como qualquer outra coisa, não existe verdade absoluta e você pode achar o que quiser. Inclusive, pode adotar essa idéia como filosofia de vida.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Descendo a escada gastronômica [2] - ou - Guia Centro-Blumenauense para um almoço bem-sucedido

Adoro continuar posts, contar coisas que ninguém liga e falar sobre assuntos que só interessam a mim; provavelmente ter um blog e escrever esse post foram bem convenientes. Antes, uma observação: meu computador fica do lado da janela e eu realmente acho lua cheia que nasce de tarde foda pra caralho. Pronto, comentário aleatório feito, já posso dormir essa noite.

Então, pulemos introdução e vamos ao ponto uma vez que o Sebastião Menezes aqui já teve a bondade de explicar a coisa toda; é a minha vez de fazer propaganda de graça e escrever sobre restaurantes no centro de Blumenau e postar umas fotinhos. Todos os restaurantes citados são restaurantes com buffet a kg.

E uma montagem tosca sempre cai bem... ei, torrada é comida sim.

1) Forte Apache: Restaurante na Ponta Aguda, recomendo. Comida gostosa e tal, não é caro e o lugar é legal. Custou-me 12 reais a comida e o refrigerante. Nada de demais, mas dou nota 8;


2) Celeiro: Dentro do Floriano Center, na Floriano Peixoto, que fica no Centro. O lugar é grande e tem muita mesa, mas como vai muita gente, é normal estar sem mesa no horário de almoço de fato. A comida é boa, veja só, tinha até Moqueca de Peixe quando eu fui lá. Paguei 12 reais pelo “livre” e uma coca lata, se não me engano, coisa fina. Nota: 8;


3) Tunga: Na rua 15 de Novembro, ponto famoso de encontro de cachaceiros durante a Oktoberfest. Surpreendi-me com a refeição que o lugar me proporcionou. Veja bem, eu tinha uma expectativa baixa, mas gastando só 10 reais (o “bife” livre mais uma coca – que veio em uma garrafa de vidro aliás, pasmem).

De fato, o Sebastião não gostou tanto, mas com a feijoada com direito a salada e um bifinho acebolado maneiro bem feitinha do jeito que tava, eu coroei o lugar como um dos meus favoritos. Vale citar duas coisas: o almoço todo levou 10 minutos e tinha um tiozinho do nosso lado que jurava que tinha 40 trilhas de novela em casa. PUTA MERDA, eu não consigo nem pensar em 40 novelas!


E sim, o ambiente é legal. That’s it, recomendo. Nota 8,5;


E esse é o feijãozinho do Sindicato.


4) Sindicato dos Comerciários: a menina dos olhos. Sim, tem alguns muito piores, mas até que pra um restaurante que tinha todo o nosso preconceito, não foi tão ruim assim. Fica ali na rua do Teatro Carlos Gomes, uma transversal da rua 15 de Novembro e da 7 de Setembro, e por 4,50 mais 2 do refrigerante, até que foi ok. Confesso que foi difícil no começo; meu estômago não simpatizou tanto com o feijão, muito embora eu tenha comido tudo. Talvez estivesse frio, mas nem tudo é perfeito.


Detalhe cômico: na saída do restaurante – e dos quatro que foram almoçar lá aquele dia, só eu notei isso – tinha uma cachacinha com uns copinhos, uma espécie de licorzinho e tal. Eis que, justamente quando estávamos a pagar a conta, um sujeito com um aspecto de mendigo tenta roubar a garrafa sob protestos do caixa! Eu ri muito, sério. É uma pena que contando assim não dá pra passar a bizarrice do momento na sua essência. Ah sim, e eu dou nota 6.

Certo, por enquanto é isso, nós continuamos esse guia que ninguém vai usar em outros posts; tenha uma boa refeição e bom apetite.



"Mission Accomplished"



Mp3 – “The Great Gig in the Sky” - Pink Floyd

“Invenção nº8”, - Johann Sebastian Bach


Resumo pro Volkmann: tá com fome e no tá centro de Blumenau? Fica aí nosso rápido guiazinho gastronômico, divirta-se; para detalhes, entre em contato. E se vier dizer que era melhor comer no “méqui”, toma tapa na fuça.

domingo, 3 de maio de 2009

Descendo a escada gastronômica

Esse ano, eu e todos os colaboradores deste blog prestaremos o vestibular. Por isso, até dezembro mudaremos nossas atitudes em relação a alguns tópicos importantes em nossa vida, nos mais variados aspectos; em especial, um aspecto em específico, cuja importância não é discutível. Como talvez saiamos das casas de nossos pais, temos que nos acostumar às possíveis situações novas que possivelmente enfrentaremos, como, por exemplo, a comida. E é aqui que entra o assunto do post.


É sabido que na maioria dos RUs (conhecidos também como “Restaurantes Universitários”) a comida não é ‘tudo aquilo’. O bandeijão da UFSC, por exemplo, é famosa por servir o “Bife 007”, que é frio, duro, tem nervos de aço e licença para matar. Por isso, para evitar que a transição das nossas refeições boas de casa para algo mais, digamos, zoado, não seja tão penosa, estamos almoçando em outros restaurantes, geralmente baratos e socados, numa espécie de ‘simulado’ para o mundo universitário.


Afinal, se existem simulados para as provas das universidades, por que não realizar um para os restaurantes das mesmas? Mas, antes de descrever os resultados e as experiências de nossa bizarra aventura, tenho que fazer um breve histórico.


Desde o 1º ano do Ensino Médio, temos que ficar à tarde na escola. Como na frente do nosso colégio existe um shopping, esse era o único lugar onde almoçávamos. Afinal, lá tem o McDonald’s, a Pizza Hut, o Subway, entre outros. O problema é que, 2 anos depois e quilômetros de fila andados, não existe mais - para alguns de nós, pelo menos - aquela antiga vontade de comer nos lugares supracitados. Somou-se a isso também nossa vontade de tentar se adaptar às mais variadas situações que poderemos enfrentar. Por isso, semana após semana, estamos indo à diferentes restaurantes; alguns bons, alguns ruins. Afinal, quem quer virar um “Conan” gastronômico não pode ter nojinho, não é, 02?


Agora a avaliação, aí vai – e tome nota:


1 - Forte Apache - Esse é o típico buffet. Comida boa, preço bom, cheio de gente, quente, enfim, você sabe do que eu estou falando. O cardápio era variado, e vale a pena escolher o buffet livre, afinal, com R$ 10,00, você pode comer a vontade. Nota: 8.


2 - Celeiro- Mesmo estilo do Forte Apache. Cardápio variado, preço bom, muita gente. No entanto, achei a comida melhor,e o buffet livre prova ser uma ótima escolha. R$ 10,00 e você repete quantas vezes quiser, ganha suco de graça e de quebra pega uma sobremesa de primeira. Nota: 9


3 - Tunga - Ponto de encontro de tiozinhos que jogam dominó e bebem chopp, o lugar não é tão cheio, e o buffet livre é a única opção. Não achei a comida tão boa comparada com a dos outros dois. O custo/benefício não é aquilo tudo, já que não acompanha suco. Mas, para R$ 8,00, o buffet não está tão mal assim. Nota: 7


4 - Sindicato dos comerciários – O lugar é cheio, e possui um déficit de mesas, que só não é agravado porque a rotatividade de pessoas é grande. É onde a galera que sai da firma almoça. Achei a comida boa, mas é bom ficar com um pé atrás. Afinal, nunca se sabe se dentro daquela maionese se esconde uma Salmonela. O problema é que no buffet só está incluso um pedaço de carne para cada um, e se você quiser um adicional, tem que pagar R$ 2,00.


Se você é muquirana, substitua o bife pelo ensopado de carne, afinal, uma concha corresponde ao pedaço de carne, e daí é só usar o macete do feijão (aquele para concentrar os bagos na concha) e aplicá-lo ao ensopado. Assim, você fica com bastante carne e pouco molho. E se você é muito muquirana, dê um jeito de se filiar ao sindicato, pagando assim R$ 3,00 em vez dos R$ 4,50 para os não-sócios. Nota: 7


Enfim, por enquanto esses são os lugares aos quais fomos. Em algumas semanas, postarei outros.


Resumo pro Volkmann: tá com fome e no centro de Blumenau? Fica aí nosso rápido guiazinho gastronômico, divirta-se; para detalhes, entre em contato. E se vier dizer que era melhor comer no “méqui”, toma tapa na fuça.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cotonete Alternativo

Ultimamente eu tenho tido esse receio de que tem muita coisa no meio das minhas músicas favoritas e (por que não?) filmes favoritos que só eu gosto. Tudo bem que "Monty Python e o Sentido da Vida" não é um filme do Adam Sandler - muito embora seja do grupo que tem aí ecleticamente alguns muitos admiradores - mas a falta de alguém pra conversar sobre esse tipo de coisa às vezes é desesperador.

Provavelmente antes do meu propósito princ
ipal desse post, diria que o assunto merece uma dissertação, aliás. Comecemos com definições. Segundo a "Associação Brasileira de Produtores de Discos", a.k.a. ABPD, entre os CDs e DVDs mais vendidos no Brasil em 2008 temos o Padre Marcelo Rossi, Ivete Sangalo, Padre Fábio de Mello, Victor e Léo e Ana Carolina. Uma breve interpretação desse dado me levaria a crer que é muito difícil de ter algo diferente com muitos ouvintes por aqui, e o mainstream está separado para católicos, crentes e o pessoal que ouve a mesma coisa de sempre.

"Now Playing: Tulio Dek e Dhi Fer... espera, o quê?"

Ora, até aí tudo bem, agora a questão da internet e outros conceitos antes de uma conclusão (eu vou chegar lá, prometo). Sabe-se que a internet permite uma expressão gigantesca de qualquer coisa artística ou não de qualquer um com acesso a um computador - tome como exemplo esse blog que você (espero eu) está lendo ou os milhões de vídeos no youtube. Por isso, as bandas que costumavam ficar só na garagem há 20 anos agora têm a chance de aparecer pros muitos desocupados que passeiam pela rede mundial de computadores.

E agora, finalmente, eu estou chegando no meu ponto: muitas bandas, muita coisa pra ouvir. Cada um se encontra no seu gosto, acha sua banda favorita, e fica presa a isso. E temos aí um grande egocentrismo (inconsciente e inocente, diga-se de passagem): as pessoas ouvem por aí seus mp3 players e ninguém mais tem muito em comum nesse sentido.

Porque aqui tem algo interessante a ser visto, que é a união que a música, em tese, promovia nas pessoas. Antigamente, na falta de outro caminho, quem gostava de músicas geralmente gostava das mesmas músicas. As pessoas que ouviam trilhas de novela, MPB, rock (ou qualquer estilo com suas variantes) ouviam as poucas bandas/artistas disponíveis; não tinha um mundo online para ser visto e isso, acredito eu, deixava tudo mais uniforme.

E a conclusão? Bom, sou a favor da expressão músical de qualquer forma e sou a favor da internet, então, melhor as coisas como estão. Só é uma pena que nem meus amigos sabem de que bandas eu estou falando. De qualquer forma, vou deixar umas coisas recentes aí que eu descobri na esperança de que alguém leia e se interesse. E sei lá, não espere o TVZ pra ver o que é novo e legal e procurem algo aí que realmente tenha a sua cara. Com sorte é a mesma coisa que eu gosto.

Brighten - "Carolina"


Bomb the Music Industry - "Future 86"



Kevin Devine - "Brooklyn Boy"

(Essa aqui, aliás, uma feliz descoberta)


The Wombats - "Lost in the Post"

(Minha mais nova banda favorita)


Radiotape - "Olhe pra Frente"

(Nacional, o álbum todo é coisa fina. Eles abriram pro Keane ano passado, talvez valha dizer.)


mp3: Kevin Devine - "Brooklyn Boy"

Resumo pro Volkmann: Eu acho que as pessoas ficam "musicalmente egocêntricas" assim, mas sempre procure na internet coisas legais pra ouvir que tenham a sua cara. Menos Nu Metal. Sério.

quinta-feira, 19 de março de 2009

3 Filmes sobre Heroína


...ou os únicos três que eu consegui lembrar sobre esse assunto, mas que eu assisti mesmo assim e que são incríveis, todos os três. E, se vale a pena ressaltar isso aqui ou se ficou implícito mesmo (“implícito, Lisa?”), digo que eu realmente tenho uma queda por contra-cultura e coisas cult em geral, mesmo sendo um iniciado no assunto. É fato que há quem goste e há quem não goste (e o “Bebê de Rosemary” que o diga), mas vá lá, escrevo na esperança de que alguém se interesse.
Certo. Vamos aos filmes e o pouco que eu tenho a dizer sobre eles:

- Diários de Adolescente (The Basketball Diaries, 1995)

Leonardo DiCaprio, Mark Wahlberg, Juliette Lewis, dirigido por Scott Kalvert. Como a maioria dos filmes congêneres a este, a trama gira em torno do protagonista, que era legalzão e não tinha muitos problemas na vida até que resolveu usar drogas e estraga tudo, sem muitos plot-twists. Comecemos com o que eu chamaria de uma pseudo-opinião sobre o filme, mas antes uma ressalva: eu vi esse filme na aula, talvez detalhes importantes tenham sido perdidos (e uma canelada grande cabível ao momento: eu não tenho certeza se era heroína que ele injetava).
Super pseudo-opinião ativada: A atuação aqui me pareceu muito boa, afinal, querendo ou não, o Leonardo DiCaprio convenceu muito e as cenas que precisavam da presença dele estão lá. As crises de abstinência, os gritos pela mãe, a deterioração do personagem, tudo muito bem representado. Sobre a trilha sonora, eu não me lembro de nada em especial, e sobre a fotografia, bom, não sou muito bom nisso (provavelmente a minha definição de “fotografia” serve só para uso próprio) mas eu diria que esse filme é normal nesse sentido. Nos momentos de podridão do protagonista, a iluminação fica mais escura e as cores ficam mais frias, mas nada que se compare ao último filme que eu vou citar.

Quanto à trama desse filme em específico (baseada em uma história real), digamos que o filme realmente vai conforme o que eu disse que ele iria, mas o especial aqui é que o protagonsista – que se chama Jim Carrol - tem 16 anos e joga basquete (o que é o principal da vida dele) e que tem uns amigos que viram drogadinhos e vão pro buraco junto com ele. Ele é poeta e escreve um diário (e dái vem o nome do filme), o que serve como uma visão alternativa do mundo das drogas que ele entra – as poesias dele passam o sentimento da situação toda e tal. Coisa fina.

Agora o que interessa mesmo: esse filme passa uma imagem negativa das drogas, mas Jim se dá bem no final; você se sente bem depois que acaba, afinal, tudo tem volta, por pior que seja. A melhor cena, em minha opinião, é aquela em que o time de basquete dele joga sob efeito de pílulas depressoras ao som de “Riders on the Storm”, do The Doors. Sensacional.
Trailer:

- Trainspotting – Sem Limites (Trainspotting, 1996)

Esse aqui talvez seja o mais leve de assistir; tem os personagens que se fodem muito, tem a questão da heroína e da deterioração das pessoas e a grande alienação que é a coisa toda, mas conta com um alívio cômico, em diversos momentos. Dos três filmes, é meu favorito.

Super pseudo-opinião ativada: Do elenco, acho que me limito a citar o Ewan McGregor (A Ilha, Star Wars 1, 2 e 3, Miss Potter) como o excelente Mark Renton (o protagonista) e o diretor é o Danny Boyle, que esse ano ganhou um Oscar por “Quem quer ser um milionário?” (leia-se: “o cara manja”). Da trilha sonora, vou dizer que ela é composta por músicas que não foram feitas para o filme, mas o jeito que elas encaixam no contexto é muito bem pensado. Iggy Pop, Lou Reed, música eletrônica da década passada e até Brian Eno entram aqui e deixam o filme mais intenso. Sobre a fotografia, acho que ela passa bem o sentimento de indiferença do personagem em relação a tudo; é só observar o tempo nublado sempre, as cores frias que aparecem mais, e a iluminação – the usual.
"better than sex, man, better than sex..."

Sobre a história do filme - esta, baseada em um livro – podemos ver dessa vez um protagonista junkie que não piora conforme o tempo; ele já é um viciado e fodido desde o começo. O filme é inglês, se passa na Escócia (o sotaque, o sotaque!) e na própria Inglaterra, mostrando a vida em função da droga, e as aventurinhas do barulho com uma galerinha eletrizante (desculpas, haha) e etc. Vale pelo final e por ser um filme divertido; não vou ficar aqui na história pra poupar os spoilers.

Agora o que interessa mesmo: inglês, mais leve de assistir, uma narração em off que eu acho o máximo, tem o final mais divertidamente sacana, e a introdução mais memorável: “Chose life. Chose a job, chose a carreer, chose a famlily...(...)but why would I want any of that?(…)Who needs reasons when you have heroin.”. Minha cena favorite talvez seja essa mesmo da introdução, mas eu ainda diria a cena do banheiro, ou da abstinência dele; fica a dica, é muito foda.

Trailer:

- Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000)

Finalmente, a menina dos olhos. Vamos por partes, então: “Réquiem”, por definição, é a música ou a missa feita para aqueles que partiram, o que faz bastante sentido pro título do filme; os quatro personagens principais têm seus sonhos “assassinados” pela droga (ou as drogas; no caso, cocaína, heroína e anfetamina) em uma trama que se desenrola com maestria.

O que eu quero dizer com isso (super pseudo-opinião, mais uma vez) é a intensidade que qualquer um sente assistindo os takes rápidos, ouvindo uma trilha sonora instrumental extremamente coesa com as cenas, e percebendo que o diretor conseguiu com a técnica fazer da estória muito mais forte e “tapa na cara” – tudo vai crescendo até um clímax impressionante: eu me segurava na poltrona, você realmente há de se sentir na pele do personagem. Vale a curiosidade aqui, um patrocínio da Wikipedia: “Na média, um filme de cem minutos possui entre seiscentos e setecentos cortes, já Requiem apresenta mais de dois mil.”

Em suma, é uma pira, um dos melhores filmes que eu já vi. O que se passa (baseado em um romance de 1978): três xófens de uns 20 anos (dois garotos e a namorada de um deles) com muitas idéias na cabeça e uma vontade óbvia e muito grande de enriquecer, que sentem o futuro ficando pra trás depois que as coisas começam a dar errado e a heroína fica no caminho deles. O quarto personagem é a mãe do protagonista (um dos garotos) que sonha em ficar magra e bonita para aparecer na TV, mas que acaba buscando em comprimidos de anfetamina uma solução rápida pra isso, ficando maluca e viciada. De novo, a deterioração dos personagens, “blá blá blá” , só que nesse último filme isso fica MUITO fantástico.

O elenco é composto por Jared Leto (conhecido também como o vocalista da banda “30 seconds to mars”) como o personagem principal “Harry Goldfarb”, Jannifer Connelly (Uma Mente Brilhante) como a namorada dele (1 indicação para Oscar de melhor atriz coadjuvante), Marlon Wayans (sim, pasmem, o negão de “Todo Mundo em Pânico”) e Ellen Burstyn (O exorcista, embora ela esteja muito mais velha nesse filme de 2000) como a mãe dele. Todas atuações incríveis também.

Agora o que interessa mesmo: esse filme é muito intenso, precisa de estômago pra assistir, mais compensa demais por ser impecável, em minha humilde opinião. Eu daria um 10. Gosto muito das últimas cenas, não sei muito o que dizer sobre isso.

Trailer:

Mp3: The Velvet Underground - “Heroin”.

Resumo pro Volkmann: Vários resumos espalhados pelo post onde ta escrito “Agora o que interessa mesmo...”. Eu disse aqui que gosto de filmes sobre drogados e eu acho “Réquiem para um Sonho” o mais foda deles, fica a dica.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Abaixo ao mainstream!

Olá a todos, sou Sebastião Menezes, novo colaborador deste blog; de vez em quando, palpiteiro sobre algumas coisas que acontecem ao nosso redor.


Esses dias, tomei uma decisão prosaica, sem muita importância, mas que tem um significado simbólico. Parei de assistir ao Big Brother, e com isso, me distanciei quase totalmente da maior fornecedora de cultura do país: a Rede Globo. Antes de mais nada, gostaria de dizer que não faço do grupo dos PIMBA (Pseudo-Intelectuais Metidos à Besta e Associados) e que também não sou um elitista cultural.


Não há nada como um programa kitsch para desviar nossa atenção dos problemas do dia-a-dia e das questões existenciais. Aliás, tirando o “Eu Vi na TV”, aquele programa que tinha o “Teste de Fidelidade”, e o “Programa do Ratinho”, com as “Olimpíadas Populares” (onde uma vez um cara jogou um tijolo para cima e pegou no dente), acho que nada na televisão conseguia me fazer rir desse jeito. Eu via o Big Brother para relaxar e dar umas risadas; as brigas fúteis, as ameaças ridículas e as atitudes sem noção de alguns me eram divertido. Enquanto alguns participantes do reality show são bizarros à sua própria maneira, outros criam um personagem, tentando emular características dos ganhadores prévios.


Pensando bem, emular (de qualquer jeito) não é uma prática nova na televisão brasileira, muito menos exclusiva ao programa. O próprio programa em questão foi criado para fazer frente à “Casa dos Artistas”, que copiou a Endemol, emissora autora do primeiro Big Brother na Europa, e esta, vendeu à Globo o direito de criar um semelhante nacional. Entendeu? O padrão é: copiar dos outros. Tanto faz se for da rede concorrente, da Argentina, do Inri Cristo; enfim , o negócio é plagiar. Já dizia o Chacrinha: na televisão, nada se cria , tudo se copia.


Falando nisso, e aqui entramos definitivamente no assunto do post: não só a TV, mas a cultura de massa nos últimos anos tem sido extremamente formulaica e repetitiva. Estou falando da cultura popular em geral, mas mais especificamente da música e da televisão. Não acredito naquela velha estória propagada por roqueiros antiquados de que hoje não se faz música boa; só acho que muita coisa de qualidade que está sendo feita por aí não recebe a devida atenção.


Claro, muitas vezes que é bom vem à tona, mas com outra roupagem; algo mais comercial e parecida com o que está em alta. E, na minha opinião, o que está em alta hoje chegou ao ponto de saturação. Cara, não agüento mais ligar a rádio e escutar: “Womanizer , Womanizer , Womanizer” trocentas vezes. Porra, ninguém que escuta rádio é surdo ou retardado - se o cara é mulherengo não precisa repetir isso durante a música toda. Outro exemplo clássico é aquela música que repete a palavra “Low” umas cem vezes, ou a pior de todas, do Chris Brown: “Kiss, Kiss”. Essa é tortura chinesa. E isso pra não mencionar a tendência do rock do mês, que boa ou não, você vai acabar ouvindo ad nauseum. Aqui alguns podem argumentar contra, dizendo que, quando uma tendência está em alta (tendência musical, literária ou o que quer que seja), alguns subprodutos seus de baixa qualidade (nesse caso, algumas dessas músicas que acabei de citar) acabam sendo um sucesso. Concordo , mas o que me espanta é o número desses subprodutos , inclusive cópias de músicas que são cópias, que acabam chegando ao topo das paradas. Talvez a primeira vez que isso aconteceu que eu consigo pensar foi quando o Grupo Polegar copiou o Grupo Dominó, que por sua vez, copiou o Menudo.


Qualquer semelhança não passa de mera coincidência.
OBS : Reparem como um babaca na foto do Dominó foi arbitrariamente cortado em favor de um pano e outros 3 babacas.


Na televisão é a mesma coisa. Recentemente, o Luciano Huck acusou o Gugu de plágio. Segundo ele, o Domingo Legal estava copiando a maioria dos quadros do Caldeirão. Veja bem, a rixa é antiga; anos atrás, o apresentador do SBT disse que Huck estava tentando plagiar a infame “Banheira do Gugu”. Sim, aquela mesma, onde celebridades tinham que pegar sabonetes e uma modelo gostosa tentava impedi-las. Outra rixa entre eles é o “Lar Doce Lar”, quadro do Domingo Legal que é cópia de um quadro do Huck que é uma cópia do “Extreme Makeover Home Edition”. Falando nisso, odeio quando os brasileiros tentam nacionalizar os programas americanos. “O Lata-Velha” é o melhor exemplo. Para quem não sabe, esse quadro do Caldeirão do Huck é uma versão favelada e terceiro-mundista do programa “Pimp My Ride”. Além de não ter o Xzibit (“Yo Dawg”), o quadro tem pouca duração e, sinceramente, não achei que os carros ficaram tão bons. A única vantagem do programa em relação ao original são as próprias latas-velhas. Não tem preço ver aquelas Belinas , Fiats 147 e derivados quase caindo aos pedaços.


Enquanto a programação das emissoras está forrada com atrações como as que eu citei acima, estão na TV à cabo - ou em péssimos horários de transmissão - programas engraçados (como Cilada) inteligentes (Manhattan Connection) ou simplesmente legais (Altas Horas). Para quem não sabe, a Globo até transmite Family Guy (vulgo uma Família da pesada), mas somente aos sábados de madrugada.


E isso é só a ponta do iceberg. Ao passo que programas, músicas, livros e muitas outras coisas de qualidade ficam no semi-anonimato, a Globo transmite o Faustão e a “Dança dos Famosos edição MDCLXX” ou a “Dança no Gelo” com anões indianos. É de dar raiva. Por isso, defendo uma televisão aberta melhor: let’s fight the power - nem que seja só deixando ela desligada depois do Jornal Nacional. Ou veremos grande parte do país continuando como naquela música dos Titãs: “A televisão me deixou burro, muito burro demais \ Agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais”...


Glossário


Chacrinha: Comunicador de grande sucesso entre os anos 50 e 80. Apresentou programas de rádio e auditório de grande sucesso, como o Cassino do Chacrinha.


Menudo: Praga musical oitentista e boy band, conhecida também por revelar o Ricky Martin. A maioria de seus integrantes chamava-se Roy, Rocky, Robby ou qualquer bizarrice iniciada por R.


Dominó: Cópia da banda supracitada.


Grupo Polegar: Cópia da banda supracitada.


Resumo pro Volkmann: Resumo de cu é rola. Vão ler o post, vagabundos.