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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

In the USSR, the somewhat complicated novel is the pretentious douchebag who quotes YOU!

"Na maioria dos casos, as pessoas, inclusive os facínoras, são muito mais ingênuase e simples do que costumamos achar. Aliás, nós também."
(...)
"Talvez as faces vermelhas não impedem nem o fanatismo, nem o misticismo; a mim, porém, me parece que Aliócha era até mais realista que qualquer outra pessoa. Oh, é claro, no mosteiro ele acreditava piamente em milagres, mas a meu ver os milagres nunca desconcertam o realista.

Não são os milagres que inclinam o realista para a fé. O verdadeiro realista, caso não creia, sempre encontrará em si força e capacidade para não acreditar no milagre, e se o milagre se apresenta diante dele como um fato irrefutável, é mais fácil ele descrer de seus sentidos que admitir o fato. E se o admite, admite-o como fato natural, que apenas lhe fora até então desconhecido. No realista a fé não nasce do milagre, mas é o milagre que nasce da fé. Se o realista acredita uma vez, é justamente por seu realismo por seu realismo que ele deve forçosamente admitir o milagre."

Finalmente comecei a ler "Os Irmãos Karamázov", e deixei aí em cima dois dos melhores trechos até agora. Yet, considerando a falta habitual de algum leitor, serve para minha própria recordação posterior. Best regards to my future self!

#mimimi-tô-lendo-dostoievski-olha-pra-mim; pois é. Ainda que não seja essa a intenção.

E uma foto de Oscar Graf, também conhecido como Lênin, um soviético/russo ilustre. Sort of related.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ser ou não ser Federal, eis a questão

Hoje alguém me disse que olha meu blog muito frequentemente para checar se há alguma coisa nova; acho que foi uma motivação interessante para escrever de novo. De qualquer forma, vamos ao texto.
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Considerando a quantidade de dinheiro (hipotético para os céticos, futuro benefício para os crédulos) envolvida e os muitos empregos e vagas em jogo na universidade, uma das questões que e maior relevância em Blumenau atualmente é a federalização da FURB


O assunto é palpitante, inútil é meu blog.

Na posição de calouro e ‘sabe-de-nada’, tenho pouco a dar de opinião baseada em experiência própria, algo que você deve ter deduzido desde o primeiro post do blog. No entanto, é sempre válido começar uma discussão ou fazer alguém pensar – nem que este seja eu mesmo.

Pois bem, primeiro com a posição de quem é pró-federalização, a exemplo de um professor que eu tenho. Parte-se do princípio que, em uma situação ideal de federalização, o orçamento disponibilizado para nossa universidade passariaa ser em torno de 300 milhões de reais. Isso, segundo fontes, é praticamente o triplo do orçamento atual, embora eu não tenha certeza se já está incluída a mensalidade paga pelos alunos ou não.

E em que implica a consolidação desse processo? Os alunos ganhariam muito, certamente. Os professores, a exemplo da UFSC, seriam em sua maioria graduados com um Doutorado, a instituição (fisicamente falando) seria herdada sem nenhum problema, o diploma passaria a ser de uma Federal (e é bem sabido o quão valorizado é isso, mito ou não) e estaríamos isentos de pagar a mensalidade.

Sem contar com o valor econômico e, digamos, ‘científico’ que viria de brinde. Estamos falando de centenas de milhões de reais injetados na economia local e de vários estudantes vindos de vários estados - matriculados aqui, formando-se aqui, trabalhando aqui e gastando dinheiro em coisas blumenauenses, quiçá do vale e congêneres.

Não obstante, mudaríamos o foco atual, com mais ênfase na pesquisa e extensão. Supõe-se que nem todo o dinheiro seria aplicado com o salário dos servidores que trabalhariam na FURB, e, portanto, haverá mais dinheiro para financiar os outros projetos relacionados à universidade.

Por outro lado, há a opinião de quem é contra isso tudo, com suas razões. Antes de levar em conta as conseqüências da hipótese, questiona-se a capacidade desse projeto ser levado adiante – considerando a inexpressividade política de Santa Catarina, é possível que o dinheiro nem chegue até nós e que tudo isso nem seja aprovado lá em cima.

Agora, na parte prática da questão, aqueles professores desqualificados para ensinar em uma Federal (sejam estes didáticos e bons, ou não) seriam os primeiros a sentir o lado negativo. Na iminência de um concurso com pré-requisitos altos demais ou com um nível de dificuldade elevado, uma grande quantidade de discentes iria embora. Confesso que não sei da veracidade dessa informação, mas a minha fonte a garante.

Além disso, ainda que exista o IBES, a FAE e a ASSELVI (ou UNIASSELVI, seja lá), o ensino superior tornar-se-ia em parte inacessível por aqui para aqueles que vêm do ensino público, uma vez que estes não têm a capacidade financeira ou a capacidade acadêmica. De cada 100 alunos que fizeram a prova do vestibular da UFSC de 2007 (e que eu estou tomando como padrão em uma universidade federal, partindo da premissa de que não há razão para que esse número mude drasticamente de ano pra ano), aproximadamente 23 vêm de escolas públicas - que dirá quantos efetivamente são aprovados. Quanto aos que não poderiam pagar, podemos supor que se eles tivessem dinheiro para investir em educação, eles não teriam vindo de escolas municipais ou estaduais.

Minha cara quando me dei conta de que não consigo decidir minha opinião.

E isso é um contra-senso, se o objetivo é elevar o nível do pessoal por aqui. Devemos trazer uma montanha de alunos qualificados pra cá e deixar os incapazes indispondo da FURB?

De resto, sobram perguntas: a administração pública dará conta daqueles milhões todos? Dando vida ao economista dentro de mim, teremos uma alocação de recursos ideal e certa? Ou ainda, haverá recursos para alocar? Os novos professores aumentariam tanto assim o nível? Por fim, você que está lendo, hipotético freqüentador do meu blog: no caso de ser um estudante, você seria capaz de entrar na FURB enquanto Universidade Federal de Blumenau? No caso de ser um calouro ou um veterano, você teria sido capaz de entrar e ser digno de um canudo desses?

É difícil responder. Estou pendente a crer que tornar nossa digníssima instituição pública é o ideal (“pensemos no futuro da cidade!”), mas como pesar o que é mais válido? Parece que ver como Blumenau se beneficiará (olha o clichê aí) é uma questão de ponto de vista. E pior: talvez a cidade saia ganhando e perdendo nas duas possibilidades – basta decidir quem deve ficar na vantagem e quem não deve.

Olhando pros posts que eu tenho escrito, sobre como todos nós somos iguais (ou sem individualismo, dá no mesmo), como somos imperfeitos e sobre como não há verdade, não tem como eu dar uma resposta. Mesmo. Penso até que votaria em branco, no caso de ter que votar em chapas para reitor extremistas nesse sentido.

Afinal, parece que é uma sacanagem (uma puta falta de sacanagem, alguém diria) que alguns percam um emprego de uma forma relativamente injusta e que outros percam a oportunidade de estudar na FURB agora, não parece? Mas também não parece ignorância não optar pelo futuro desenvolvimento daqui? De qualquer forma, como não há verdade absoluta e nunca vai haver, tanto eu como todos vocês, estamos todos errados em nossas próprias proporções. Que seja o melhor para Blumenau e, aos vencedores, as batatas! ;)

mp3: The Radio Dept. – Heaven’s on Fire

Resumo pro Volkmann: Federalizar a FURB ou não? Ambas as frentes tem suas opiniões com sustentação lógica e com um sentido de ser, mas (como sempre) só posso concluir que as duas não estão nem certas nem erradas. Depende sempre de um ponto de vista e de quem você acha que deve sair ganhando.

PS:
Minha fonte da estatística: http://www.vestibular2007.ufsc.br/relatorio/vestgrt03g.html

De resto, prefiro não dizer quem opinou pra eu escrever esse texto. Se alguém leu até o final e tem uma opinião (acho improvável, mas vale a minha intenção), não se acanhe! Deixe um comentário.

domingo, 2 de maio de 2010

Imperfeito porque humano.

Assisti “Homem de Ferro 2” alguns dias atrás e um dos diálogos do filme foi o que serviu para contrabalancear o exagero inacreditável do filme. Eis que, lá pelas tantas, o vilão do filme, “Ivan Vanko”, diz: “Se você faz Deus sangrar, as pessoas param de acreditar nele”.

Bom, eu espero que isso não desvie sua atenção do texto, mas que fique claro que o assunto aqui não será o Homem de Ferro ou Deus. Eles já têm atenção demais para coisas que não existem. É sobre eu, você e essencialmente todo o mundo.

Nós somos imperfeitos. Estaremos sempre diante da nossa própria tragédia grega, cada um com suas proporções, e sempre em uma catarse que nunca acaba. Embora saibamos que há crianças africanas que morrem de fome (e dos clichês inevitáveis), nada nunca nos satisfará a ponto de nos sentirmos completos, seja culpa do seu pensamento livre ou da falta de algum neurotransmissor no cérebro.


E da mesma forma, Deus sangra. Em outras palavras, Deus é humano, e isso porque Deus (e o Homem de Ferro também) representa o nosso ideal de existência, e provavelmente não é muito difícil de chegar nessa conclusão. Afinal, se nos livrássemos de todos os atrasos que nossa humanidade nos proporciona, poderíamos chegar a ser o que quer que fosse da nossa vontade.



Até o homem vitruviano teria crises existenciais.

Imagine que espetacular. Não seria difícil ficar rico, posto que não teríamos razão para gastar em supérfluos. Seriamos nossa própria definição de inteligência, virtuosidade e beleza, uma vez que a nossa disciplina impecável serviria de escada para qualquer patamar. Não haveria depressão, medo, admiração exacerbada ou deficiência (física e psicológica) para deter quem quer que fosse.


O assunto permite afirmar ainda, com meu radicalismo de sempre, que aqui está uma das razões pela qual gostamos tanto de ler histórias e assistir filmes. Além da distração, é emocionante acreditar que um dia seremos pessoas reconhecidas e célebres – seja pelo mérito, pelo valor de nossa criação, pelo amor platônico que se concretiza ou pelo dinheiro que temos.


Mas, voltando ao meu ponto inicial, nunca seremos completos. Não somos melhores que ninguém (isso não deveria nem ser pensável), nunca teremos tudo, e é uma bobagem perseguir isso. Acho até engraçado existirem tantos livros de auto-ajuda (ou a auto-ajuda per se), sempre promovendo o encontro da Felicidade (com efe maiúsculo), a “convivência perfeita” dos casais, o encontro da sua “cara metade” ou ficar milionário – sugerindo, ainda por cima, que ficar rico resolve alguma coisa.


Let’s face it – não resolve. As pessoas certamente ficariam muito mais distraídas com o prazer puro que seria ter um rancho Neverland de entusiasmos e supérfluos. Ainda assim, o tédio eventualmente levaria o novo Michael Jackson em potencial a voltar à estaca zero, procurando algo que o fizesse feliz até o próximo momento de aborrecimento. E, veja só, estamos gastando nossa vida inteira trabalhando.


Então, não sei ao certo como concluir. Não sugiro uma vida antissistema ou algum tipo de anarquia. Sugiro na verdade o bom e velho conformismo, desde que você se lembre que nada nunca vai ser lindo e divino como nossos sonhos e devaneios sugerem.


E ao modo da Academia de Oratória, outra citação, agora no fim. Essa é de (previsível) Tyler Durden: "Você não é o seu emprego. Você não é quanto dinheiro você tem no banco. Você não é o carro que você dirige. Você não é o conteúdo da sua carteira. Você não é as calças cáqui que veste. Você é toda merda ambulante do mundo."


mp3: Yann Tiersen – Summer ’78 (Goodbye, Lenin! OST)


Resumo pro Volkmann: Assista “Clube da Luta” e saiba que ninguém nunca será único, feliz de verdade ou completo – essas coisas são inexistentes e a única noção de ‘felicidade’ que temos está intrinsecamente ligada à nossa distração do mundo de verdade, nem que tenhamos nosso rabo atochado de dinheiro.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Crises de Identidade, persistência da memória e Alexandre Nardoni

Era uma curiosidade que eu já tinha ouvido bastante tempo atrás, mas que eu ouvi de novo recentemente: todas as células dos nossos corpos já foram regeneradas alguma vez nos últimos sete anos. Fui conferir essa informação e havia um dado que aumentava esse período, posto que algumas células duram mais tempo – nos ossos, por exemplo, algumas aparentemente resistem por uns 10 anos.

Isso significa que você poderia se considerar, pelo menos a cada década, uma pessoa completamente diferente do que era dez anos atrás. Então, ainda que seja uma noção meio radical e que talvez, em poucas palavras, “não é exatamente assim que funciona”, essa idéia me rende uma pergunta: o que define nossa identidade ao longo do tempo?


Reformulemos a pergunta. Como alguma coisa pode manter-se a mesma se ela, fisicamente falando, transforma-se em outra totalmente nova? Bom, em primeiro lugar, tenhamos em mente que essa idéia é muito velha, tanto que na Grécia antiga – para variar – alguém já tinha pensado nisso.


Chama-se o “Navio de Teseu”:
Conforme relato de Plutarco, o navio com que Teseu e os jovens de Atenas retornaram (de Creta) tinha trinta remos, e foi preservado pelos atenienses até o tempo de Demétrio de Falero, porque eles removiam as partes velhas que apodreciam e colocavam partes novas, de forma que o navio se tornou motivo de discussão entre os filósofos a respeito de coisas que crescem, alguns dizendo que o navio era o mesmo, e outros dizendo que não era.

A idéia, embora um pouco repetitiva a essa altura do texto, é perguntar-se como o navio podia ser o mesmo se este já fora praticamente reconstruído várias vezes.


A resposta que me vem a cabeça é que o navio passa a ser outro, nessas condições. Mas e nós? Deixamos de ser quem nós somos, uma vez que a pessoa que ganhou uma certidão de nascimento há muito tempo já não é a mesma? Como nós lembramos como andar de bicicleta ainda que passemos muito mais do que uma década sem pegar uma para andar?

E tem mais um problema, que se revela quando eu percebo que é muito mais difícil definir as coisas. Não podemos definir alguma coisa pelo funcionamento, propósito ou aparência/composição física. Afinal, uma chave que não abrisse nenhuma porta existente não seria uma chave.

Mas a verdade é que não sei como responder nada disso. Não escrevi o texto para apresentar uma resposta, porque certamente ela depende de um conhecimento mais complexo do que eu poderia dar. Algo relacionado com o funcionamento exato de nossa memória – ou a persistência dela – e como é o mecanismo que determina a nossa consciência.


Minha intenção com esse papo todo era, a princípio, deixar a reflexão pra quem quiser ler e depois conversar sobre isso. Mas aí eu percebi além disso, ao pensar sobre o assunto e assistir os noticiários, que existe uma aplicação moral bizarra desse paradoxo.


Quanto à permanência de identidade, Alexandre Nardoni, por exemplo, poderia ser solto em uma década - embora talvez ele seja mesmo, who knows - se eu estiver certo nesse aspecto. Afinal, passado um decênio da morte de Isabella não vai mais ter sido ele que a matou.


"Mas eu não matei ela, foi um assaltante que jogou ela da janela. Eu juro!"


E já que mudamos de assunto, PELO AMOR DE DEUS PAREM DE FALAR NESSA PORRA. Eles estão sendo julgados, tudo bem, mas eu tenho certeza que essa notícia não tem tanta relevância. Ah sim, tem outra: como já disseram antes, as pessoas que ficam na porta do tribunal pra vaiar eles são uns idiotas. Aproveitem seu tempo melhor, vão dar a bunda, se joguem pela janela, sei lá.


Bom, é isso. Um abraço ao Marco que não vai ler esse texto e que acha muito divertido quando eu começo essas conversas.


mp3: Pixies - Where is My Mind

Resumo pro Volkmann: você é uma pessoa diferente e igual a cada 7 anos e eu odeio o “caso da menina Isabella”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Che Guevara, uma filosofia de vida e algumas meias-verdades

Hoje voltei para casa com uma idéia na cabeça, conseqüente de uma conversa que eu ouvi. Nada necessariamente relevante – como de costume - mas vale o texto. A pseudo-opinião de sempre, vá lá.


Pois então. Uma parte da conversa girava em torno de Che Guevara, outra parte relacionava a instrução de alguém com seu posicionamento político e a categorização disso em bom ou ruim. Em suma, o cubano argentino era um imprestável (um ponto de vista justificado, veja bem) e muitas críticas à esquerda comunista pairavam no ar.


Antes de continuar, vou dividir com meu hipotético leitor a música dos Beatles que está tocando enquanto escrevo. John Lennon canta sobre campos de morangos e afirma sem rodeios: “nothing is real”.


Certo, nada é real, e eu retomo meu raciocínio. Comecemos pelo revolucionário que dá nome a esse texto. Como poderíamos enunciar qualquer opinião justificada sobre ele, por assim dizer, se nosso conhecimento sobre o assunto é necessariamente parcial e subjetivo?


A questão é que qualquer fonte existente é parcial e subjetiva. Qualquer livro será feito a partir de versões que têm influencia da ideologia, da memória seletiva e da opinião do autor. Isto é, não será a verdade absoluta.


E é aqui que eu queria chegar. A conversa não se restringe ao tal Guevara; tudo o que você pensa se baseia em falácias. A sua opinião muda em alguma coisa, então? Se estivermos sempre contornando verdades que não são verdades, então nenhuma discussão será necessária. Nenhum ponto de vista será válido para ser tomado como orientação, e talvez isso faça as coisas mais simples.


Talvez, penso eu, a concepção disso permite que você ache o que quiser. Porque mesmo que alguém venha te questionar, é bem provável que este alguém esteja tão certo quanto qualquer outro. “Misunderstanding all you see”, cantam os Beatles.


Então pense o que quiser, use aquela camiseta com o “Che”, faça o que bem entender. Só não diga que você está certo, e pense muito antes de tomar algo como verdade. Sócrates ficaria orgulhoso.


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E antes que eu me esqueça, a filosofia de vida, se quiserem chamar assim. Como você não está preso a nenhuma certeza, posto que tudo é subjetivo e talvez ninguém nunca chegue a essa “verdade absoluta”, você pode tomar também qualquer coisa como o motivo da sua existência.


Coloquemos assim: não é necessário procurar por uma resposta para a vida, as respostas estão todas aí. Só é preciso achar a sua pergunta. “Strawberry fields forever”, e entenda como quiser.

"What? No, seriously, what?"




mp3: The Beatles – Strawberry Fields Forever


Resumo pro Volkmann: Che Guevara pode ser um mártir ou um grandissíssimo filho da puta, não importa. Como qualquer outra coisa, não existe verdade absoluta e você pode achar o que quiser. Inclusive, pode adotar essa idéia como filosofia de vida.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Considerações pseudo-filosóficas

Olá a todos. Depois de um mês sabático, estou de volta. Nesse meio tempo, foram veiculados nesse blog alguns posts mais sérios, os quais foram de meu agrado. Por isso, resolvi dar a minha(pequena) contribuição ao nosso rol de artigos pseudo-intelectais, e além disso incitar quem vier a ler isso a pensar um pouco sobre o assunto.


Então ...Você já se imaginou em outra cidade? Já passou pela sua cabeça como você seria andando com os caras do outro lado da sala? Ou então, como seria sua vida na Somália? Talvez você fosse mais descolado se morasse em outra cidade, teria atitudes diferentes se andasse com outras pessoas, e viraria pirata se morasse na Somália.No entanto, uma coisa é certa: igual você não seria. Por isso, e por outros motivos, que serão analisados a posteriori , eu acredito que nossas vidas são regidas pelas circunstâncias.


Antes de mais nada, um pouco de metalinguagem. Circunstância: 1-Particularidade que acompanha um fato; 2-Acidente que atenua ou agrava;,3- conjuntura,momento,ocasião. Dito isso, vamos às considerações propriamente ditas. Não acredito no determinismo puro e simples, mas sim nas circunstâncias. Elas influenciarão seus atos, seu estilo de vida, sua condição, seus limites; praticamente tudo à sua volta. Mas não serão nada se não vierem acompanhadas por uma ação. Essa, por sua vez, será um eco de suas circunstâncias. Por exemplo: suponhamos que um homem das cavernas inventasse os três poderes no Paleolítico e propusesse a mudança do sistema político vigente na sua tribo. Ele provavelmente seria desacredito e sofreria represálias da mesma. Por outro lado, se um filósofo iluminista expusesse a mesma idéia para seu grupo de amigos no século XVIII, a história seria outra. O conceito ‘louco’ do nosso amigo primitivo seria
considerado um marco na história humana, e posteriormente serviria de base para muitos governos.


Olhe para você. Seus gostos, sua personalidade, suas opiniões foram fortemente influenciadas pelas circunstâncias de onde você cresceu, das suas experiências próprias e do tempo em que vivemos. Aliás, a palavra zeigeist, que quer dizer espírito do tempo, denota justamente o ambiente, o contexto da época.


Mas como eu tinha afirmado alguns parágrafos antes, não acredito no determinismo puro. Afinal, você tem liberdade de ação, e elas também ajudam a definir o momento em que você vive. Ou seja, você pode mudar as circunstâncias. Além disso, há fatores que não levamos em consideração, como a genética, que exerce uma influência enorme em nossas vidas, e a margem de erro inerente à tudo na vida.

Você, nascendo na Somália



Por isso, não se esqueça que suas ações acarretam muitas conseqüências, que ajudarão a moldar a sua situação atual e, em maior ou menor nível, a das pessoas ligadas á você. E , além disso, lembre-se que, se você quiser mudar o status quo, a mudança inicial deve partir de você.


Mp3: David Bowie – Life on Mars



Resumo para o Volkmann: Por que não vivo na União Soviética? Afinal, lá o texto resumiria VOCÊ , e eu não precisaria estar escrevendo isso.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A vida é boa (em termos relativos) - ou - Reflexões sobre a morte

Não que isso seja da sua conta ou que você se importe, mas eu estou convivendo (a uma certa distância) com uma pessoa nas últimas e percebendo a morte vindo outra vez. Só pra me dar a deixa pra escrever o texto, digamos que é alguém próximo a mim, que tem um parente próximo que já viu a luz umas três vezes, e vá lá, é algo que faz pensar.


O texto não é sobre aquelas “near-death experiences” que alguns vivem, ou sobre perder parentes, mas mesmo assim aqui vai algo que te interessa: você vai morrer, e vai passar uma boa parte da vida pensando isso. Aproveite que você não está fazendo nada mesmo e pense nisso de novo (depois de ler o que eu tenho a dizer).


Então. Eu acho que nunca tive medo de ir dessa pra uma melhor; nunca tive medo de abandonar um plano material, de conviver com a eternidade em algum lugar que eu não gostaria de estar, acabar em um nada profundo e infindável, ou reviver em outro corpo, conforme a música de alguma religião.


Porque - veja só - afinal, vamos todos morrer, cada dia é mais um dia próximo do túmulo (créditos a Roger Waters) e não tem nada que eu não tenho tanta certeza como essas frases – isso não me assusta. Pode ser momentâneo, doloroso e horrível ou durante meu sono; daqui a 5 minutos ou daqui a 90 anos, quem sabe.


Muitos trocadilhos foram pensados, mas nenhum foi o suficiente pra te fazer... morrer de rir? >.<



Mas eu tenho um medo, e esse é o medo de me arrepender; eu sou obrigado a dizer (e ser um pouco clichê), é fato. Me assusta achar que um dia eu vou perceber que eu não disse o que tinha que ter dito, perceber que eu não fiz algo que deveria ter feito – por uma simples comodidade – e me falta ar em pensar que não compensei meus erros com alguns acertos que passaram.


Uns flashbacks vindo e Benjamim Button te diria que “a vida é definida pela nossas oportunidades, as que perdemos e as que aproveitamos”, realmente, e não dá pra dizer quantos acertos vão ser suficientes para sobrepor as oportunidades que passaram (ou passarão) por mim. Pois é, e eu aqui na frente do computador. Claro, vão me dizer que ninguém vai adiante lamentando algo que ainda nem aconteceu, mas mesmo uma pessoa que passa o dia inteiro fazendo o possível e o impossível há de concordar comigo que o conformismo nesse aspecto é vital, uma vez que não dá pra prever as conseqüências de cada momento, saber exatamente o que fazer.


Agora, convenhamos: a vontade de ter a resposta ainda está lá, não importa em que consenso eu vou chegar comigo mesmo. Ainda tenho a dúvida e espero pra ver quem vai nos responder: em que ponto da nossa existência será o ápice? Por onde procurar a solução (e mesmo qual exatamente é o problema)? Alguma igreja, alguma droga, uma profissão, um ideal, uma meia-verdade ou uma vida inteira sem se importar?


Nos meus humildes 16 anos, eu penso que não tenho a menor idéia e você também não. Pense nisso, mas só pra ver que é bom estar vivo (uma rápida comparação e você percebe os prós). De qualquer forma, se alguém me perguntar, fui ver as nuvens passando, lembrar da alvorada e esperar o crepúsculo. Assim que der, eu volto a pensar o que eu quero ser “quando crescer” e me voltar à rotina, ouvindo minhas músicas e constatando que talvez seja melhor parar de pensar tanto sobre isso; talvez eu acabe louco. Como eu estou pra citações, vai uma célebre, de Marta Suplicy: “Relaxa e goza (...)” :)


Mp3: Matt White – “Love”

Mp3: The Cure – “Inbetween Days”


Resumo pro Volkmann: Todos vamos morrer, menos o Geraldo. Reflita e viva, faça o que você gosta, porque na vida tudo passsa, não importa o que tu faç... Tá, parei.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Reflexões sobre o transporte coletivo urbano

A palavra ônibus tem como origem o termo latino omnibus, que significa para todos. E realmente, por mais desagradável e chato que possa ser; pegar o ônibus, nem que seja uma ou duas vezes por semana, faz parte da rotina de uma boa parcela da população. Não estou me referindo aqui aos grandes, confortáveis e obviamente mais caros busões de viagens, mas sim aos seus semelhantes que circulam nas cidades. Entendo que subir no 32 lotado e ficar em pé um bom tempo não é a melhor coisa do mundo; mas nada se compara às viagens interurbanas, como a linha Blumenau-Indaial.


A cena é clássica: quando o ônibus faz a curva e fica visível do ponto, um grupo de 15 pessoas, mais ou menos, começa a se levantar dos bancos e a se agrupar de forma desordenada para ver quem entra primeiro na lata-velha. Se você deu azar e não conseguiu chegar à frente da turba ou se não distribuiu um número elevado de cotoveladas e empurrões para ser o primeiro a embarcar, perdeu boy. Sua chance de conseguir um assento está reduzida a praticamente zero. Mas se você é do tipo que costuma acertar o milhar do jogo do bicho ou ganhar na Mega-Sena, talvez você ainda consiga sentar, nem que seja num lugar não tão bom. Entenda por isso aquele vaga ao lado de uma mãe desnaturada, que conseguiu agrupar sua prole de 3 filhos num banco só (um no colo, um no meio, e um espremido entre o banco da frente e a janela); ou perto daquele cara que dormiu e está com o corpo inclinado para o lado, praticamente ocupando metade do assento adjacente.

Agora, se você faz parte dos outros 99% da população, provavelmente você vai ter que :

1- Ficar em pé 80 minutos ininterruptamente.

2- Segurar na barra até ficar com calos na mão.

3- Agüentar a suvaca master do cara ao seu lado.

4- Escutar o cobrador gritar umas 5 vezes : “Todo mundo para trás que vai entrar mais gente!”

5- Agüentar algum FDP aleatório que queira falar com você, pois ele não consegue ficar sem fazer nada e se sente impelido a criar pseudo-amizades com prazo de validade de 30 minutos.

6- Escutar à Guararema ou à Menina FM por MUITO tempo.

7- Realizar movimentos dignos de um contorcionista romeno toda vez que alguém precisar sair.

Além disso, mesmo se você estiver sentado ou em pé, vai ser obrigado a escutar, presenciar ou até mesmo fazer coisas, no mínimo, ilógicas.


Comecemos pelo cobrador, que na verdade se chama trocador. Subentende-se que sua função seja dar o troco. Mas às vezes nem isso ele faz direito. Quem nunca escutou: “ Aí fera, tô sem troco, vou ficar te devendo 5 centavos.” O problema não são os 5 centavos, que teoricamente não irão fazer falta pra ninguém; mas sim a cara-de-pau de muitos cobradores que têm o troco, mas fingem que não o possuem para ganhar vantagem. Nessas horas é que o passageiro devia pedir: “Pô truta, não rola de tu fazer um vale 5 centavos e botar o carimbo da firma, daí na próxima vez eu apresento o vale e tu me desconta esse dinheiro ?” Óbvio que ninguém pede isso, mas faz sentido e iria encher o saco de um monte de FDP‘s. Isso sem falar nas vezes que eles dão o troco errado e nem avisam, pensando que você não vai se ligar que eles embolsaram um pouco a mais.


Outro ponto: quem nunca foi obrigado a conversar com um cara qualquer no ônibus? Geralmente esses são indivíduos altamente agoniados que não conseguem ficar de boa e olhar para frente. Ou pessoas que querem converter você para a religião deles. Aliás, por que praticar o proselitismo no ônibus? Não faz sentido. Afinal, você só quer chegar logo em casa, e não está nem aí se o Tinhoso está te desviando do caminho de Deus, ou se o fim do mundo está próximo.


Falando nisso, odeio quando esses caras aleatórios começam a conversar de uma forma primitiva -falando alto e obrigando as pessoas que os circundam a ouvir sua conversa. Tenho que confessar que já escutei coisas absurdas nessas ocasiões. Uma vez, por exemplo, uma lésbica contou suas aventuras sexuais a uma amiga,e por conseguinte, ao ônibus todo, já que falava num volume elevado. Outra situação parecida foi quando uma mulher esculachou,um por um, os moradores de sua rua. O vizinho era corno, o cara da oficina era boçal e se achava perante os outros porque tinha o ensino médio, e por aí vai. As besteiras histórico-cultural-geográficas também não ficam atrás: a Turquia faz fronteira com Itália, na Alemanha as mulheres que usam bolsa são putas, a Jamaica fica na África ... Já escutei diversas pérolas assim.


E o que dizer do estado dos ônibus? Alguns são dos anos 80 ainda, com o estofamento furado,janela emperrada ,etc. Isso sem mencionar o incrível número de chicletes colados em todos os lugares possíveis. Um deles, da época da Guerra Fria, pode até querer grudar no seu braço se você encostar no parapeito.

5 passos para trás aí pessoal !



Todos esses motivos fazem com que eu não goste de pegar ônibus, especialmente a linha Blumenau-Indaial. Mas posso dizer que as minhas histórias bizarras com eles começaram muito antes, mais precisamente quando eu tinha 6 anos. Eu estava no Bondindinho com a minha tia e vi um cara enorme, de quase 2 metros,com a camisa rasgada parecendo um mendigo; cantar a música Xô Satanás ,do Asa de Águia. Para quem não conhece a música, aqui vai o refrão:

Eu era um bêbado que vivia drogado
Hoje estou curado, encontrei Jesus
Encontrei Jesus, encontrei Jesus
Na casa do Senhor não existe Satanás
Xô Satanás, xô Satanás
Na casa do Senhor não existe Satanás
Xô Satanás, xô Satanás



Na época eu não sabia o que era axé muito menos o que era o Asa de Águia(hoje preferiria não saber também), mas percebi que aquele tipo de lugar, apertado e socado,era um reduto de freaks e que qualquer coisa podia acontecer ali. Mais tarde, lá pelos 12, estava vindo tranquilo de Blumenau para Indaial quando, de repente, o ônibus parou. Aí o motorista saiu de seu compartimento e disse algo mais ou menos assim:: “Galera, todo mundo pra fora porque ocorreu um vazamento de óleo e o motor do ônibus pode explodir.” Logo após a evacuação, ainda presenciamos um acidente entre uma moto e um carro que aconteceu na rua à nossa frente; e tivemos que esperar um monte até sermos recolhidos por circulares.



Por isso, até hoje minha visão sobre esses ônibus urbanos não mudou muito. Eu sei que eles ajudam a reduzir a emissão de CO2 e tudo mais; porém ainda acredito que existam formas melhores de transportar um monte de gente sem que isso se transforme numa sessão de tortura da Inquisição Espanhola.



Resumo para o Volkmann: Falei sobre um monte de coisas, mas tu podes encontrar o resumo mesmo aqui : http://www.youtube.com/watch?v=oHg5SJYRHA0



Resumo do resumo para o Volkmann: d’llor’kcir neeb ev’uoY


sexta-feira, 6 de março de 2009

Abaixo ao mainstream!

Olá a todos, sou Sebastião Menezes, novo colaborador deste blog; de vez em quando, palpiteiro sobre algumas coisas que acontecem ao nosso redor.


Esses dias, tomei uma decisão prosaica, sem muita importância, mas que tem um significado simbólico. Parei de assistir ao Big Brother, e com isso, me distanciei quase totalmente da maior fornecedora de cultura do país: a Rede Globo. Antes de mais nada, gostaria de dizer que não faço do grupo dos PIMBA (Pseudo-Intelectuais Metidos à Besta e Associados) e que também não sou um elitista cultural.


Não há nada como um programa kitsch para desviar nossa atenção dos problemas do dia-a-dia e das questões existenciais. Aliás, tirando o “Eu Vi na TV”, aquele programa que tinha o “Teste de Fidelidade”, e o “Programa do Ratinho”, com as “Olimpíadas Populares” (onde uma vez um cara jogou um tijolo para cima e pegou no dente), acho que nada na televisão conseguia me fazer rir desse jeito. Eu via o Big Brother para relaxar e dar umas risadas; as brigas fúteis, as ameaças ridículas e as atitudes sem noção de alguns me eram divertido. Enquanto alguns participantes do reality show são bizarros à sua própria maneira, outros criam um personagem, tentando emular características dos ganhadores prévios.


Pensando bem, emular (de qualquer jeito) não é uma prática nova na televisão brasileira, muito menos exclusiva ao programa. O próprio programa em questão foi criado para fazer frente à “Casa dos Artistas”, que copiou a Endemol, emissora autora do primeiro Big Brother na Europa, e esta, vendeu à Globo o direito de criar um semelhante nacional. Entendeu? O padrão é: copiar dos outros. Tanto faz se for da rede concorrente, da Argentina, do Inri Cristo; enfim , o negócio é plagiar. Já dizia o Chacrinha: na televisão, nada se cria , tudo se copia.


Falando nisso, e aqui entramos definitivamente no assunto do post: não só a TV, mas a cultura de massa nos últimos anos tem sido extremamente formulaica e repetitiva. Estou falando da cultura popular em geral, mas mais especificamente da música e da televisão. Não acredito naquela velha estória propagada por roqueiros antiquados de que hoje não se faz música boa; só acho que muita coisa de qualidade que está sendo feita por aí não recebe a devida atenção.


Claro, muitas vezes que é bom vem à tona, mas com outra roupagem; algo mais comercial e parecida com o que está em alta. E, na minha opinião, o que está em alta hoje chegou ao ponto de saturação. Cara, não agüento mais ligar a rádio e escutar: “Womanizer , Womanizer , Womanizer” trocentas vezes. Porra, ninguém que escuta rádio é surdo ou retardado - se o cara é mulherengo não precisa repetir isso durante a música toda. Outro exemplo clássico é aquela música que repete a palavra “Low” umas cem vezes, ou a pior de todas, do Chris Brown: “Kiss, Kiss”. Essa é tortura chinesa. E isso pra não mencionar a tendência do rock do mês, que boa ou não, você vai acabar ouvindo ad nauseum. Aqui alguns podem argumentar contra, dizendo que, quando uma tendência está em alta (tendência musical, literária ou o que quer que seja), alguns subprodutos seus de baixa qualidade (nesse caso, algumas dessas músicas que acabei de citar) acabam sendo um sucesso. Concordo , mas o que me espanta é o número desses subprodutos , inclusive cópias de músicas que são cópias, que acabam chegando ao topo das paradas. Talvez a primeira vez que isso aconteceu que eu consigo pensar foi quando o Grupo Polegar copiou o Grupo Dominó, que por sua vez, copiou o Menudo.


Qualquer semelhança não passa de mera coincidência.
OBS : Reparem como um babaca na foto do Dominó foi arbitrariamente cortado em favor de um pano e outros 3 babacas.


Na televisão é a mesma coisa. Recentemente, o Luciano Huck acusou o Gugu de plágio. Segundo ele, o Domingo Legal estava copiando a maioria dos quadros do Caldeirão. Veja bem, a rixa é antiga; anos atrás, o apresentador do SBT disse que Huck estava tentando plagiar a infame “Banheira do Gugu”. Sim, aquela mesma, onde celebridades tinham que pegar sabonetes e uma modelo gostosa tentava impedi-las. Outra rixa entre eles é o “Lar Doce Lar”, quadro do Domingo Legal que é cópia de um quadro do Huck que é uma cópia do “Extreme Makeover Home Edition”. Falando nisso, odeio quando os brasileiros tentam nacionalizar os programas americanos. “O Lata-Velha” é o melhor exemplo. Para quem não sabe, esse quadro do Caldeirão do Huck é uma versão favelada e terceiro-mundista do programa “Pimp My Ride”. Além de não ter o Xzibit (“Yo Dawg”), o quadro tem pouca duração e, sinceramente, não achei que os carros ficaram tão bons. A única vantagem do programa em relação ao original são as próprias latas-velhas. Não tem preço ver aquelas Belinas , Fiats 147 e derivados quase caindo aos pedaços.


Enquanto a programação das emissoras está forrada com atrações como as que eu citei acima, estão na TV à cabo - ou em péssimos horários de transmissão - programas engraçados (como Cilada) inteligentes (Manhattan Connection) ou simplesmente legais (Altas Horas). Para quem não sabe, a Globo até transmite Family Guy (vulgo uma Família da pesada), mas somente aos sábados de madrugada.


E isso é só a ponta do iceberg. Ao passo que programas, músicas, livros e muitas outras coisas de qualidade ficam no semi-anonimato, a Globo transmite o Faustão e a “Dança dos Famosos edição MDCLXX” ou a “Dança no Gelo” com anões indianos. É de dar raiva. Por isso, defendo uma televisão aberta melhor: let’s fight the power - nem que seja só deixando ela desligada depois do Jornal Nacional. Ou veremos grande parte do país continuando como naquela música dos Titãs: “A televisão me deixou burro, muito burro demais \ Agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais”...


Glossário


Chacrinha: Comunicador de grande sucesso entre os anos 50 e 80. Apresentou programas de rádio e auditório de grande sucesso, como o Cassino do Chacrinha.


Menudo: Praga musical oitentista e boy band, conhecida também por revelar o Ricky Martin. A maioria de seus integrantes chamava-se Roy, Rocky, Robby ou qualquer bizarrice iniciada por R.


Dominó: Cópia da banda supracitada.


Grupo Polegar: Cópia da banda supracitada.


Resumo pro Volkmann: Resumo de cu é rola. Vão ler o post, vagabundos.